ÚLTIMAS NOTÍCIAS DO FÓRUM
Oi gente,
Já estamos de volta, Yta e Ester, em São Paulo, e eu em Campinas. Ainda colocando a vida em ordem (sair por uma semana tem algumas conseqüências, hehe), gostaria de contar p/ vcs algumas coisas desses dois últimos dias, que fiquei sem mandar notícias.
Como falei p/ meninas, no início da semana passada, quando olhávamos toda a programação oficial p/ decidirmos o que fazer, cada uma, durante o evento, eu fui p/ este Fórum, principalmente com um espírito: participar de um evento desse porte e com essa proposta - social. Sentir o clima, as pessoas, entender essa mágica que reúne milhares de pessoas num lugar, com objetivos tão distintos e, ao mesmo tempo, tão próximos.
As atividades apresentadas estavam, por assim dizer, *em segundo plano*. Ou seja, claro que pretendia (como fiz!) apresentar um bom trabalho, que é nossa Revista Art& fazer alguns contatos p/ própria revista, mas não tinha nenhuma visão pré-determinada de como a *coisa* seria. E achei isso ótimo! Pq assim as coisas fluem mais simplesmente e com menos stress possível (erros, falhas da organização, desencontros, tudo fica mais suportável com esse 'espírito'...).
Fazendo um "balanço geral" de tudo que vi, senti, troquei e, principalmente APRENDI, posso dizer, com certeza: Valeu a pena, sim, ter ido! :-)
Nos outros posts já passei parte do que fizemos durantes esses dias, neste aqui, falo do que fizemos nos dois últimos dias de nossa estada.
Na segunda-feira, efetivamente o último dia do fórum, o clima estava "menos pesado", em termos de correrias p/ dar conta de ver palestra/shows/filmes/videos, mas não foi um dia "menos pesado" que os outros, até pq a gente tinha que terminar de "fechar" tudo o que tinha "engatilhado" durante todos os outros dias. Assim, fomos cedo p/ território do FSM p/ isso. Dei uma passadinha na sala de imprensa p/ disparar uns e-mails prometidos e cada uma de nós foi "se virar". Marcamos de almoçar com a Ivone (Richter), que encontramos na Dado Bier por volta da uma e meia da tarde e que nos ciceroneou numa deliciosa tarde de passeios/papos/conversas (até mesmo a camisa OFICIAL do Inter, encomenda do Caco, meu filho, consegui comprar, pq a Ivone me levou ao beira Rio p/ isso! hehehe) que se estendeu até, quase, as 8 da noite, quando fomos, Yta e eu, encontrar com Nina (Enfim, né Nina? Hhehe) na casa dela e até as 11 da noite ficamos num papo MUITO legal, que com certeza vai resultar em novidades p/ Art&, aguardem!
Um aparte, para um momento tiete da Ju:
Quero fazer agradecimento público à Ivone: OBRIGADA! Gente, vcs sabem o que é passar 6 HORAS na companhia da Ivone Richter? Imaginam a AULA que é isso? hehehe Simplesmente um adjetivo: BABANTE! Fiquei mais fã do que já era!
Fim do momento Tiete... hehehe (Ivone, assim que eu achar o folheto com o nome da fotógrafa que falei eu te mando, mas o nome da Expô era "Todas Cores do Mundo" - Mulheres de Foz do Iguaçú, sobre as etnias que formam o povo da cidade, retratada em forma de fotos de mulheres que moram lá e relatos de suas histórias pessoais).
Ontem, terça, fomos tomar café da manhã no mercado municipal, com a idéia de dar uma "cameladinha" pelo centro e dar uma olhada na cidade... Compramos umas lembrancinhas, Ester comprou seu chimarrão (p/ quem não sabe, Ester morou no RGS por uns tempos e tem o hábito de tomar chimarrão), eu comprei feijão preto (Os gaúchos, como nós, cariocas, comem feijão preto, e aqui em Campinas não costumo encontrar feijão preto de boa qualidade, assim, quando vou ao Rio ou ao Sul eu 'contrabendeio' feijão preto! Hehehe) e recebemos fitinhas do senhor do Bonfim banhadas em água de cheiro, de um grupo de candomblé que estava no mercado. Afinal, hj, dia 02, é dia de N. Sra. Dos Navegantes, padroeira de Porto Alegre e que, pelo sincretismo é Yemanjá para as religiões afro-brasileira).
Depois disso, fomos até uma livraria/sebo (que eu não lembro o nome nem por decreto!), na rua dos Andradas, onde além de eu fazer um estrago considerável no meu orçamento, acabamos encontrando por acaso a Luciana (Grupelli) novamente. Papos p/ lá e p/ cá e ela nos indicou um restaurante bacaninha ale mesmo, na Rua dos Andradas, onde almoçamos.
No passeio pela praça, Yta e eu estivemos muito bem *acompanhadas*, hehe Numa pausa, que a Ester registrou, pudemos *babar* um pouco com Drummond e Mário Quintana... :-)
Falando em livros, sobre o Painel de Livros, do FSM, aproveito p/ postar também umas fotinhos que fiz lá, em uma das tendas, para vcs verem como a "coisa" estava organizada. Tudo muito simples, feito, na maioria, de material alternativo. Estantes de madeira reciclada, puffes de embalagens longa-vida, tapetes de retalhos... Enfim, a idéia era dar espaço ao livro e à leitura. Vc podia pegar qualquer um deles, sentar ou deitar, onde quisesse e simplesmente ler...
Abaixo também tem duas fotos nossas (Ester e eu, que a Yta tirou), na sala de imprensa, mandando notícias p/ vcs.
ACIMA ESTER, ABAIXO, JU
A correria (vcs tem idéia do TAMANHO do evento? Hehe) me impediu de usufruir mais desses espaços, mas confesso que dei uma "lidinha básica" num Quintana (de quem conheço, infelizmente muito pouco... e que pretendo conhecer mais, com "alguns livrinhos" que andei comprando por lá...) aqui e acolá, entre uma atividade e outra.
A idéia em si é que achei ótima! Uma biblioteca literalmente aberta... livre, com fluxo livre. Vc simplesmente pega o livro que quer e lê... O quanto quer, do modo que quer... MUITO legal!
Como estava lá com objetivos claros de fazer contatos/traçar parcerias p/ Art&, tive que "selecionar" os eventos e atividades que participei, priorizando as de Arte/Educação, mas como amo a cultura indígena, sempre que deu aproveitei para dar uma olhadinha, ao menos, num ou noutro eventinho...
Havia mais de 190 etnias diferentes de índios, de todo o mundo, representadas no FSM, acreditam? Tanta coisa interessante!!! Não consegui estar presente em nenhuma das cerimônias religiosas indígenas, pq estas aconteciam as 6 da manhã, todos os dias, e a gente só consegui chegar no fórum depois das 8 pq, além de estarmos hospedadas um tanto distante, cada dia anterior nos deixava praticamente mortas! Mas acompanhei algumas exibições de danças sensacionais!
Por volta das 4 da tarde saímos p/ rodoviária p/ pegar o ônibus p/ Caxias do Sul, onde pegaríamos nosso vôo de volta (por motivos $ério$ preferimos ir por Caxias, heheh) e deu-se o início da "epopéia"p/ voltar p/ casa... A serra estava com muita neblina e, assim que começamos a viagem eu disse p/ meninas: gente, só falta a &%$#@ do aeroporto estar fechado... Advinham o que aconteceu? Pois é... Duas horas e meia de estrada até Caxias p/ chegar e... o aeroporto de Caxias estar fechado p/ pouso e decolagem. A empresa nos mandou de volta p/ Porto Alegre, p/ pegarmos um vôo lá... só que ai chegamos em Cumbica, e não em Congonhas, em SP... resultado? "Busum" até Congonhas p/ encontrar a família que me esperava lá. Deixamos Ester em casa, Yta foi com Tio Ni (maridão, dela) e acabei voltando p/ Campinas de madrugada mesmo, mas como o trabalho acumulou consideravelmente por aqui, acabou sendo bom!
Creio que cada uma de nós tem suas anotações e comentários p/ fazer, até pq em muitas vezes a gente teve mesmo que se separar p/ dar conta dos interesses de cada uma e ainda estou separando o material todo que trouxe e, por causa de trabalho (as aulas numa das faculdades em que eu trabalho já começaram segunda) hj e amanhã tenho que dar atenção ao meu planejamento do semestre, que devo entregar com certa urgência, mas durante o carnaval eu prometo mandar mais notícias, ta?
Beijinho
Ju
Editora Geral
Editor 3:47 PM
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NOTÍCIAS DO FÓRUM
Abaixo, uma anotação de atividade que presenciamos ontem, uma das poucas em arte/educação.
Arte-educação com crianças de rua Grupo (Dafne, Rafael e Guilherme) é de Campinas-SP, mas infelizmente eu esqueci de anotar o nome. Depois prometo dar uma olhada no jornal da programação (que não está comigo agora...) e mando p/ vcs.
Proposta de trabalho com arte: vivência; em 2 partes
1- Dinâmica de representação teatral/corporal.
Metodologia: Proposição de metodologia de igualdade. Aproximação por identificação entre as crianças e os educadores. Trabalham em conjunto com grupos de saúde e educação. (Yta participou da vivência)
15 personagens foram sorteados junto ao público pediram a *criação* dos atores na construção dos personagens. Esclareceram os termos *de rua*, como *avião*, no tráfico de drogas, por exemplo (havia muitos estrangeiros na dinâmica que desconheciam esses termos) explicações mínimas sobre construção de personagens a personagem da Yta foi sorteada como *arte-educador de rua* a vivência inicia e o caos parece tomar conta (não sei se proposital ou eventual, mas a Dafnee o Rafael conversam bastante entre si e observam a evolução do trabalho, sempre atentos. Ambos participam da proposta, sendo que o Rafael atua e a Dafne fica mais "de fora" e interage (me parece) tecnicamente. Observa muito, olha sempre o relógio, rodeia o grupo, está atenta...
Observando:
Yta assumiu uma postura crítica de arte-educador de *fazeção* (palavras dela) e a relação com as crianças de rua. Yta *toca fogo* no grupo com a atuação junto as *crianças*. Ensina os bonequinhos de jornal para elas. Rafael participa muito. Dafne nos autoriza a fotografar o trabalho (havíamos pedido antes se podia e eles nos disseram que dariam o OK no momento que pudéssemos, pois não queria constranger o público, não entendi, mas respeitamos).
Ester faz as fotos enquanto eu anotei o que acontecia.
Algumas das 'crianças' tentam 'vender' os bonequinhos que fazem para o público. Uma das pessoas diz mesmo que queria vender para comprar drogas (na minha opinião, denotando um proconceito explícito sobre a venda de objetos por todas as crianças de rua... mas, enfim...).
A interação é, neste momento, interrompida. Não ficou claro p/ mim por quê, mas inicia-se ai um debate.
OBS: O idioma não deveria ser uma grande barreira, pelo que propunha, ao início, mas os estrangeiros presentes mais conversam entre eles mesmos do que interagem e acompanham a proposta. me pergunto se não teria sido mais interessante trabalhar com mímica, mas como nâo tenho conhecimento em teatro-educação suficiente, fica ai a pergunta... Em casos de barreiras de idiomas, a mímica funciona melhor, como comunicação, do que a fala?
OBS 2: No início dos trabalhos eles propunham que a linguagem de abordagem que desenvolvem com as crianças, nas ruas, é de aproximação não-verbal, mas não foi o que houve, na dinâmica.
OBS 3: Foram relatados problemas de articulação e conversação por barreira do idioma (pelos estrangeiros, na maioria).
O debate:
Muitos comentários *soltos* sobre a atuação dos 'atores' (???). Yta comentou que mudou sua proposta inicial pq não conseguiu manter a personagem que pretendia e ressaltou a importância do trabalho em grupo. Guilherme, do grupo, esclareceu que uma das regras do grupo é essa: ninguém vai sozinho. Tentei perguntar depois o motivo dessa regra (ele não disse) e qual a motivação do grupo para o trabalho, mas não consegui.
Um dos participantes colocou que as pessoas que trabalham na rua se esquecem que elas não moram na rua, e que deveriam se preparar para fazer trabalhos assim, talvéz vivendo na rua por um tempo, ou ao menos próximo da realidade que vão enfrentar.
Ainda foi falado da necessidade de se respeitar os *códigos* da rua.
Neste ponto, amiguinhos, o debates esquentou e eu, confesso, não consegui anotar muito mais coisas... Em seguida eu precisei sair (xixi, sorry! :-) mas como a Yta ficou ela pode complementar melhor que eu...
Uma coisa que me ficou *martelando as idéias* é a insistência dos proponentes que as crianças devem ser tiradas da rua... quando questionados do PQ disso, não respondiam, ou mencionavam o ECA.
Outra coisa, que percebi na fala deles é um preconceito ou desconhecimento das atividades de assistentes sociais... Por diversas vezes repetiram que o trabalho deles é *diferente, pq assistente social dá comida só*... Yta disse-me que depois que eu saí uma assistente pediu a palavra e se propôs a debater com eles... Yta, por favor, pode comentar? (O comentário da Yta está colado embaixo deste texto, veja)
No mais, gente, ontem acabei perdendo umas coisas que tinha digitado... se der, digito mais ainda hj. Mas como nostra mostra de Vídeo (organizada pela Ester) é hj, as 21h00, não prometo nada, tá?
Beijocas p/ Anelise, que veio nos encontrar pessoalmente aqui e é uma amor de menina!!!
Beijinho
Ju
Editora Geral
TEXTO DA YTA
Vamos lá:
- quando fui sorteada a participar da dinâmica com o papel de "arte-educadora" (eu era a arte-educadora 2, num grupo de 15
participantes colocaram 3 arte-educadores). Em momento nenhum foi feita uma pequena reunião entre os arte-educadores. Cada um fez o que tinha na cabeça, sem combinar nenhuma forma de ação, o que é um item muito importante para termos em mente quando formos desenvolver um trabalho.
Nós como arte-educadores nao tinhamos noção mínima de qual seria o nosso público, como se "trabalhar com menores moradores de rua" fosse uma "categoria pasteurizada", como se "todos fossem iguais", ou pior ainda, como se "todas os arte-educadores tivessem obrigação de conhecer de antemão seu público". Desta forma ficou aflorado o preconceito e as visões distorcidas sobre aquele público-alvo.
Fiquei muito incomodada em alguns momentos, mesmo durante a dinâmica, me sentindo incapaz de "produzir" algo, como uma "incompetente". Sim, esta foi a minha sensação: sensação de impotência gerada por incompetência, por falta de preparo, por irresponsabilidade de ir atender (sim atender = agir para resolver problemas) um público (da mesma forma que o comerciante atende alguem ali no balcao), sem ter o mínimo conhecimento de quem estaria na minha frente.
Pessoal, estou fazendo uma análise bem emocional, não estou pensando na parte didática, social, psicológica, etc... estou colocando a "energia", a sensação que senti. Pode ser que depois eu releia o texto, quando tiver saido deste turbilhão e encontre centenas de pontos que devem ser mudados, mas no momento é assim que estou fazendo a análise: imersão.
Continuando a dinâmica. No primeiro momento, quando recebi o "papel", dei gargalhadas, pois achei 'pouco criativo' eu assumir o papel de arte-educadora, já que sou profissionalmente arte-educadora. Já que no meu cotidiano sou educadora. Pensei que nao iria entrar na dinamica.
Na realidade o que aconteceu, decidi que iria ser aquela pessoa com todos os preconceitos sobre o que deve trabalhar com arte, que tentaria 'tirar a criança da rua', mas 'tirar a criança da rua para leva-la para a igreja'. O papel todo equivocado, como se a 'arte=educadora 2" (meu papel), fosse uma 'dondoca', que está ali 'cumprindo tarefa'. Existia o preconceito declarado, não algo que afloraria, mas algo que estava 'marcado no papel que defini como meu'.
Na prática, não consegui segurar este 'papel' por mais do que 2 minutos. Comecei a ficar angustiada ao ver que estávamos todos como 'gatos molhados, correndo da chuva, sem ter onde se esconder'. Neste momento, tentei trazer para junto alguns personagens que na minha lógica poderiam se associar com o 'arte=educador 2" (meu papel). E qual não foi minha surpresa, ao ver que os personagens estavam simplesmente se 'degladiando', não queriam parcerias, cada um queria atender o seu próprio papel, sem se preocupar com o objetivo central que era o 'atendimento às crianças de rua'.
Neste momento eu pulei fora do papel que havia definido, e resolvi assumir o papel de arte-educadora com um mínimo de conhecimento do seu público (afinal, já tinha circulado e conhecia pelo menos superficialmente aquele público). O único recurso que eu vi ali próximo que poderia usar era JORNAL, nada mais do que JORNAL. Não foi tão dificil pensar em trabalhar com MODELAGEM DE JORNAL.
Comecei a MODELAR UMA FOLHA DE JORNAL, algumas crianças começaram a se aproximar (não pq eu chamei, mas pq a minha movimentação chamou atenção). Ao perceber a aproximação, eu ofertava ou melhor, mostrava o jornal e dizia que eles tb poderiam pegar uma única folha. Assim comecei a ter um pequeno público. Desta maneira, em determinado momento, quase a metade dos personagens já haviam sentado (mesmo sem eu falar para sentarem), e começavam a fazer as peças.
Alguns pegavam a produção e vendiam para o publico. Vendiam para ajudar a comprar comida. Outros foram vender para conseguir dinheiro para comprar drogas. Mas muitos tentaram participar da atividade.
Depois eu passo as informações sobre o tema.
Abraços
Yta
Editora de Agenda e Eventos Comentados
Editor 3:35 PM
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